conecte-se conosco

Esporte

Divisão no esporte deve ser por gênero ou sexo?

Publicado

em

42401488_303

O caso da jogadora Tiffany Abreu, a primeira transgênero a atuar na Superliga feminina de vôlei, vem causando polêmica. A recente contratação da atleta pelo Bauru, autorizada pela comissão médica da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), desencadeou um debate sobre a possível vantagem de uma transgênero, nascida homem, sobre as demais jogadoras e os critérios adotados em casos como esse.

Hoje o Comitê Olímpico Internacional (COI) permite a participação em competições de pessoas que passaram do gênero masculino para o feminino desde que sejam observadas algumas condições, como nível de testosterona abaixo de 10 nanomol/litro nos últimos 12 anos e que a atleta se declare como do gênero feminino há pelo menos quatro anos. Já para os transgêneros que fizeram a transição do feminino para o masculino não há qualquer restrição.

As regras, no entanto, podem variar de esporte para esporte, de organização para organização e de país para país. Segundo Eric Anderson, professor de esporte, masculinidade e sexualidade na Universidade de Winchester e um dos organizadores do livro Atletas transgêneros em esportes competitivos, essa é uma questão complexa. “A mera presença de atletas transgêneros questiona a divisão de gênero binária sobre a qual o esporte se estabelece.”

Para o endocrinologista Guilherme Almeida Rosa, professor da Unirio e especialista de tratamento de transgêneros, um ponto-chave para discutir a questão é o critério para divisão dos times. “O vôlei é feminino, não de mulheres. É uma questão de gênero, não é só uma questão de sexo. Essa pessoa não pode competir no masculino porque ela é feminina, ela é uma transgênero feminino”, afirma.

Regras justas?

Tiffany nasceu homem, mas hoje se identifica com o gênero feminino. Ela passou por cirurgia de adequação sexual e tratamento hormonal, isto é, a testosterona produzida por seu corpo foi bloqueada, e ela passou a utilizar o hormônio feminino estrogênio. Entre as mudanças provocadas pelo tratamento estão a diminuição da massa muscular e da força, a redistribuição da gordura corporal, o crescimento dos seios e o atrofiamento dos testículos.

Apesar de estar dentro das regras atuais, a participação esportiva de Tiffany não é consenso. Em dezembro de 2017, a ex-jogadora de vôlei Ana Paula Henkel questionou em tuíte que tal permissão não seria justa porque Tiffany só começou o tratamento hormonal após a puberdade e, portanto, chegou a desenvolver características masculinas.

 

Segundo Almeida, o processo de feminização geralmente dura de três a cinco anos e, mesmo depois de concluído, isso não significa que o tratamento hormonal tenha que ser interrompido.

O endocrinologista explica que, apesar das mudanças provocadas pela terapia hormonal, características como a estrutura óssea não se alteram. No entanto, para afirmar que Tiffany levaria vantagem por ter mais resistência física e mais força, seria preciso apresentar dados e compará-los com a resistência e força física das demais jogadoras.

Nesse caso, se a força e resistência da atleta transgênero for superior, o especialista defende que ela passe por um período de adequação da sua composição corporal e das suas capacidades físicas, para além da regulação de testosterona.

A pesquisadora em antropologia social Barbara Pires, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), lembra que há outros fatores, além dos hormonais, gerando desigualdades entre as atletas, desde amparo técnico e qualidade dos centros esportivos até alimentação e suplementos nutricionais. “É muito difícil para a própria literatura médica entender como tudo está envolvido, e não só o hormônio determina tal característica.”

Anderson, por sua vez, entende que há justificativa científica para o descontentamento de muitas jogadoras cisgênero (pessoas que se identificam com seu gênero de nascença), mas problematiza: “Também não se pode falar que todas as mulheres cis tenham as mesmas vantagens. Afinal, não é o esporte o domínio em que celebramos os corpos mais incomuns?”

Na mesma linha, Almeida destaca o papel do esporte para a integração e inserção. “Ele é a celebração da diversidade e das diferenças. Tem muita gente falando em desigualdade, mas, na verdade, todos somos desiguais em algum ponto”, diz.

“Se uma atleta está descontente por achar que é injusto uma trans poder competir contra ela, ela deveria parar e pensar sobre o quão injusta é a transfobia em nossa sociedade para as pessoas trans. Eu sinto muito que você se sinta desigual enquanto compete, mas as pessoas trans são desiguais 24 horas por dia”, afirma Anderson.

Tiffany Abreu

Tiffany em partida pelo Bauru: caso ganhou as manchetes

Dificuldade de regulamentar

Segundo regulação do COI de 2015, “é preciso garantir tanto quanto possível que atletas trans não sejam excluídos da oportunidade de participar de competições esportivas”. Tal entendimento serviu de base para que a contratação de Tiffany fosse aprovada.

De acordo com a regulação, que determina o limite de testosterona como requisito principal para elegibilidade de atletas transgêneros, o esporte objetiva garantir uma competição justa. Nesse sentido, defende que “restrições para participação são apropriadas na medida em que são necessárias e proporcionais para o alcance de tal objetivo”.

A Federação Internacional de Voleibol (FIVB) se reuniu em janeiro de 2018 e manteve o entendimento do COI no que concerne a disputa de vôlei no nível internacional, mas deixou a cargo das federações de cada país decidir como regulamentar a questão nacionalmente. No Brasil, a instituição responsável por tais regras é a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV).

Pires destaca que a questão está longe de ser simples. “Para criar a resolução você precisa generalizar, e muitos desses casos são difíceis de generalizar, são casos muito diferentes um do outro”, diz a pesquisadora.

Após os Jogos Olímpicos de Inverno na Coreia do Sul, a serem realizados neste mês na cidade de Pyeongchang, o COI prevê discutir o tema novamente, e as regulamentações poderão ser alteradas.

Debate deve continuar

Além dos transgêneros, Pires cita o exemplo dos intersexuais para exemplificar mudanças nas regras de elegibilidade esportiva. Ela estuda as regulamentações esportivas para intersexuais, ou seja, pessoas em que uma variação dos caracteres sexuais dificulta a identificação como feminino ou masculino.

Na década de 80, a atleta espanhola Maria Patiño tinha o aspecto físico de uma mulher, mas foi barrada num teste de verificação de gênero por apresentar cromossomos XY (sexo masculino).

“Ela processou para mudar a regulação, e aí foi-se percebendo que existiam casos em que, mesmo com os cromossomos sendo de um sexo, a pessoa poderia se desenvolver de outra forma por alguma variação do corpo. No caso de Patiño, ela não tem sensibilidade aos hormônios [masculinos], então tem um corpo feminino”, diz.

O endocrinologista Almeida destaca como fundamental focar a inclusão. “Ninguém resolve virar transgênero, a pessoa é transgênero, isso não é uma opção para ela”, afirma. “Assim como uma pessoa que nasce com hiperandrogenismo, ela também não tem hiperandrogenismo [distúrbio endócrino caracterizado pelo excesso de andrógenos, como testosterona] porque ela quis, ela não pode ser excluída do esporte por causa disso.”

Pires destaca que os estudos científicos sobre o assunto ainda são insuficientes, e que o debate sobre as regras deve continuar. “Ao longo do tempo, com tudo que acontece de evolução técnica e científica, a gente vai avançando o pensamento e alterando nossas percepções.”

 

Fonte: dw

Notícias do Brasil e do mundo você encontra aqui. Leia, comente, compartilhe e assista nossos programas. NBO - Um Novo Brasil Online começa aqui.

Esporte

Presidente da Juazeirense comunica o desligamento do técnico Zaluar

Publicado

em

unnamed

Presidente da Juazeirense, o Deputado Estadual (PDT) Roberto Carlos comunica o desligamento do técnico Zaluar e do preparador físico Carlo Flávio. A decisão foi tomada na tarde desta quinta-feira (19) após uma reunião com o próprio treinador em Juazeiro. Auxiliar técnico fixo do clube, Alcir Silva assume interinamente a equipe para a partida deste domingo diante do ABC, em Natal, pela segunda rodada da Série C.

Roberto Carlos aproveita para agradecer o trabalho de Zaluar, que comandou a equipe em 13 partidas, sendo 11 pelo campeonato Baiano, uma pela Série C e a última delas ontem, no empate em  1×1 com o Salgueiro, pela partida de ida da pré-Copa do Nordeste 2019. “Foi um treinador que ajudou muito a Juazeirense neste período, mas entendemos que era momento de estabelecer uma mudança na equipe. Agradecemos pelo profissionalismo e toda a ajuda que Zaluar nos deu neste período. Vamos buscar um novo treinador e queremos anunciar o mais rápido possível”, destaca o presidente Roberto Carlos.

O próprio presidente comunicou a decisão aos atletas no fim desta tarde no estádio Paulo Coelho, em Petrolina, local de treinamento da equipe na ocasião. O elenco volta a treinar amanhã à tarde, desta vez no Adauto Moraes, e no sábado segue viagem para a capital potiguar.

Continue lendo

Esporte

Bahia está perto de acerto com goleiro do Santos, diz Bellintani

Publicado

em

Bahia-está-perto-de-acerto-com-goleiro-do-Santos-diz-Bellintani.jpg

[ad_1]

O presidente do Bahia, Gustavo Bellintani, revelou na tarde desta quinta-feira, 19, que o clube está próximo de fechar com o goleiro Fernando Castro, de 21 anos, conhecido como Fernando Boca, revelado na base do Santos. O anúncio foi feito durante em entrevista coletiva à imprensa no Fazendão.

“Há procedência de que estamos em fase final de acerto. Ainda não vamos confirmar oficialmente porque falta o contrato ser assinado, mas é um goleiro que vem pra substituir o Rafael, que foi para o Villa Nova”.

Segundo Bellintani, a busca pelo clube é por um goleiro que possa ser integrado no time profissional e no sub-23. “Ele vai exercer uma dupla função. A tendência é que ele seja um atleta que comece no sub-23 como titular e faça também a função de terceiro goleiro do time principal”.

Questionado sobre as possíveis contratações para o Campeonato Brasileiro, o gestor afirmou que, no primeiro trimestre, não foi a chegada de jogadores que resultou na mudança de atitude da equipe.

“A contratação é importante para suprir lacunas específicas(..). Se todo diretor de clube de futebol do Brasil fizer isso, o dinheiro acaba. Não tem condição e você vai fazer uma gestão de curto prazo”.

Gustavo destacou que os 11 jogadores já contratados são para disputar não só as outras competições (Copa do Nordeste, Copa do Brasil e Sul-Americana), mas também o Brasileirão. “Esse time é preparado para toda a temporada. Isso não quer dizer que a gente não olhe para outras oportunidades. Agora, vale dizer que não adianta a gente trazer atletas só para satisafazer a torcida a curto prazo”, disse Bellintani. 

Ainda na coletiva, Bellintani confirmou que o clube esteve próximo de um acerto com o atleta Roni, ex- atacante do Cruzeiro, porém, as negociações foram interrompidas por não conseguir chegar a um denominador com o Abirex Niigata – atual clube que o jogador defende.

http://platform.twitter.com/widgets.js

[ad_2]

Source link

Continue lendo

Esporte

JUDÔ: Segunda etapa do Circuito Baiano acontece no fim de semana em Lauro de Freitas

Publicado

em

JUDÔ-Segunda-etapa-do-Circuito-Baiano-acontece-no-fim-de-semana-em-Lauro-de-Freitas

Nesse fim de semana (20 e 21/4) acontece a 2ª Etapa do Circuito Baiano de Judô, no Centro Pan-Americano de Judô, em Lauro de Freitas, Região Metropolitana de Salvador (RMS). Mais de 600 competidores se inscreveram para o torneio, que pontua para os rankings estadual e nacional de atletas.

Esta é a segunda etapa do circuito, que tem oito, ao todo. Promovido pela Federação Baiana de Judô (Febaju), o evento esportivo já está com a grade fechada, com dez classes de idade, categorias de peso, masculino e feminino.

Nesta edição, a grande novidade é o Festival da Criança, que abre a programação no sábado (21/4) e promete animar a disputa. Os pais podem inscrever os pequenos durante o próprio evento, no dia 21 de abril, a partir das 08h. A taxa de matrícula é de R$60,00. É necessário apresentação de documento de identificação dos responsáveis e dos menores. O Festival é organizado pela GrowUpSports, com apoio da Febaju. Informações adicionais podem ser adquiridas através dos telefones (71) 3015-7916 (GrowUpSports) e (71) 3321-9814 (Febaju).

Fonte: aratu

Continue lendo
Publicidade HTML tutorial

+Vistos