conecte-se conosco

Esportes

70 anos da TV no Brasil: 1ª década foi de aventura, improviso e paixão

Publicado

on

Antes das luzes se acenderem e as câmeras ocuparem o estúdio, a ansiedade tomou conta. Será que aquilo iria dar certo? Experiência, os profissionais tinham de rádio. Agora, a novidade era outra. Não bastariam os sons. As imagens também seriam transmitidas ao vivo, um desafio que deixava artistas, apresentadores, jornalistas e técnicos à beira de um ataque de nervos. Não daria, em tese, para cortar. Mas, começar de novo (quantas vezes fossem necessárias). Tudo com a luz ligada e o coração à boca, como revelam os documentos e pesquisadores da história da televisão no Brasil.

O dia 18 de setembro, uma segunda-feira, entrou para a história brasileira como a data da primeira transmissão da TV Tupi, de iniciativa do empresário Assis Chateaubriand (Chatô), em São Paulo. Setenta anos depois, a primeira década, uma era de experimentação, improviso e muita paixão, deixou um legado que excede o pioneirismo. Uma época de valorização da efervescência cultural que o país experimentava. Era a maior emoção daquele ano quando as três câmeras acenderam as luzes para as palavras do ator Walter Forster: “Está no ar a PRF-3-Tv Tupi de São Paulo, a primeira estação de televisão da América Latina”.

Uma história diferente começaria ali naquela noite.

“Quando chega, a televisão tem a seu favor toda a infraestrutura das rádios que já existiam. Os funcionários também tinham a experiência de produção”, afirma o professor Flávio Luiz Porto e Silva, pesquisador de história da televisão no Brasil. Ele explica que foi o amplo conhecimento dos profissionais de rádio que viabilizou a experiência da televisão no Brasil. Naquela noite e todos os outros dias que marcaram aquele início de experiência. “Eles vão aprender fazendo”, afirma o pesquisador.

No ar PRF3 - TV, TV Tupi
No ar PRF3 - TV, TV Tupi

Inauguração da TV Tupi contou com três câmeras. Uma delas falhou. – Fundação/ Assis Chateaubriand/direitos reservados

A programação do dia da inauguração incluiu apresentações como da artista cubana Rayito de Sol, da orquestra de Georges Henri, um número do ator Amácio Mazzaropi, e outro de canto de Lia Marques, as notícias de política com o jornalista Maurício Loureiro e até uma celebração com a Canção da TV, cantada por Lolita Rodrigues e Vilma Bentivegna. Os versos da música eram do poeta Guilherme de Almeida (No teu chão, Piratininga/ A cruz que Anchieta plantou: Pois dir-se-á que ela hoje acena/ Por uma altissima antena/ Em que o Cruzeiro poisou/ E te dá, num amuleto, O vermelho, o branco o preto/ Das contas do teu colar/ E te mostra, num espelho/ O preto, o branco o vermelho/ Das penas do teu cocar). Hebe Camargo, originalmente escalada para cantar o hino, ficou afônica. Foi um sucesso, apesar de uma das três câmeras não funcionar na hora da inauguração.

Na prática, a experiência do rádio viabilizou as imagens em movimento. Um rádio com imagens, como salienta o professor e pesquisador Laurindo Leal Filho. “A respeito ao conteúdo a televisão, quase que deu continuidade ao que se fazia no rádio. Eu tenho escrito que a televisão no Brasil teve implementação diferente. Foi o teatro que influenciou bastante o início na Europa. Nos EUA, a TV apoiou-se no cinema”, explica.

“A televisão brasileira, na década de 50, teve um caráter de aventura, com o pioneirismo de seus profissionais desbravando os mistérios do novo veículo”, afirmou o professor Edgard Ribeiro Amorim no livro História da TV Brasileira. Ele explica que os primeiros anos foram marcados por uma “fase de aprendizagem” de como funcionaria aquela nova caixa mágica. Responsáveis pela parte técnica precisaram adquirir maior formação profissional na prática diante da novidade. Um tempo, aliás, sem recursos de buscas imediatas a outras referências, como ocorre no século 21. No campo artístico, os profissionais tinham as práticas da época de rádio, cinema e teatro. “Os recursos técnicos eram poucos, com um equipamento mínimo para manter uma estação no ar”, pontua Amorim.


Cronologia da 1ª Década: 🔌 1939 🗽 1948 📻 1949 📺 1950 ( 🎉 18/09) 🎥 1951 🎭 1952 🗞️ 1953 🔎 1954 🏭 19551956  📼 1957 ▶️ 1958 🐕 1959 📡 1960


Uma característica dos trabalhadores brasileiros foi se multiplicar para dar conta do desafio que se apresentava. Entre um programa e outro, os radialistas da Rádio Tupi ocupavam o estúdio da recém-lançada PRF-3 TV Difusora, interpretavam cenas ao vivo e voltavam à sua função no rádio. Essa era a rotina de muitos pioneiros da televisão brasileira, que se iniciou em 1950. Xênia Bier, Alvaro de Moia, Vida Alves e tantos outros nomes dessa trajetória experimental da televisão brasileira já deixaram os palcos da vida.

Entrevista: filha de Vida Alves luta para manter viva o Museu da TV.

E na rádio, os brasileiros já tinham os caminhos das ondas. Afinal, desde 1922, graças à iniciativa de Edgard Roquette-Pinto, artistas, jornalistas e outros profissionais conheciam o frio da barriga e a responsabilidade de entender o que era uma transmissão ao vivo. Até 1932, por exemplo, publicidade era proibida em rádio. Somente depois que o veículo se popularizou.

Quando a TV foi ao ar, um novo caminho se iniciava para uma moçada arrojada, já acostumada, por exemplo, em apresentações, jornalismo e radionovelas que encantavam a audiência. Segundo os pesquisadores entrevistados, havia empolgação, mas também dúvida do que a rádio se transformaria ou qual o tipo de impacto teria com a concorrente com imagens. O rádio já era realidade em 80% das casas brasileiras.

Quando a TV chegou ao país (depois da leva dos 200 primeiros aparelhos importados por Chateaubriand), o aparelho estava longe do acesso à população, tanto pelo alcance dos transmissores não irem além de 50 quilômetros, como pelo preço, de cerca de US$ 700. Ainda mais quando foi a própria televisão ter alguma popularização, principalmente depois de 1955. Conforme registra o professor Flávio Luiz Porto e Silva, um aparelho, no começo, custava cerca o equivalente a 30 salários mínimos.

“Com o crescimento nas vendas e a possibilidade de crediário, o número de aparelhos foi crescendo. O próprio processo de popularização aumenta à medida que a década de 1950 avança. Quando chega 1959, o número de aparelhos já é muito grande. E esse número de aparelho significa também audiência. Uma maior popularização vai ocorrer mesmo nos anos 60”, afirma o professor. No começo da década seguinte, já eram 700 mil aparelhos nas casas das pessoas. Era um tempo em que o vizinho ou familiar com televisão chamava a turma para dividir os cantinhos da sala.

Sua Vida Me Pertence - primeira telenovela da Televisão Brasileira - TV Tupi-1951. Na foto Vida Alves e Walter
Foster.
Sua Vida Me Pertence - primeira telenovela da Televisão Brasileira - TV Tupi-1951. Na foto Vida Alves e Walter
Foster.

Vida Alves e Walter Forster em cena da novela “Sua Vida me Pertence”. Eles protagonizaram o primeiro beijo da televisão brasileira, mas o fotógrafo decidiu não registrar por não achar apropriado. Reprodução do livro História da TV Brasileira, de Edgard Ribeiro Amorim. Acervo da AMM.CCSP.

As novelas nessa década já eram queridinhas da audiência. Entre o final de 1951 e início do ano seguinte, Sua Vida me Pertence, com a galã Wálter Forster e a estrela Vida Alves, deixou o público curioso em frente ao novo aparelho. “A telenovela, apesar de constante no ar desde 1951, não tinha a duração nem a importância popular das atuais”, explica Edgard Amorim.

Nas artes, atores e cantores experimentaram a partir de 1952 um momento singular de profusão cultural. O programa TV de Vanguarda, na Tupi, estreou no dia 17 de agosto (um domingo), como aponta o professor Flávio Porto. “Era o maior de todos os programas de teatro, que ia ao ar às 21h sempre com atraso e se estendia por duas três horas e às vezes até avançava madrugada adentro. Este programa foi o grande laboratório da televisão”, afirma o pesquisador. Ele explica que produções dos principais nomes da dramaturgia mundial eram encenadas ao vivo pelos atores brasileiros, o que exigia uma performance e estudo inesgotável.

Os diretores inspiravam-se na estética cinematográfica para adequar o conteúdo. O diretor Cassiano Gabus Mendes foi um dos criadores junto com Dermeval Costa Lima. Dionísio Azevedo fazia também parte da direção de espetáculos de autores como Shakeaspeare e Dostoiévski. Em cena, o talento de atores como Bibi Ferreira, Vida Alves Fernanda Montenegro, Fernando Torres, Lima Duarte e Laura Cardoso. As imagens, claro, ainda em preto e branco carregaram novas cores ao público e à arte brasileira há 70 anos. A década deu um novo sentido ao “está no ar” 

Outras matérias desta série:

TV Brasileira: a cronologia da primeira década

Filha de Vida Alves atua para preservar memória dos pioneiros da TV

A TV Brasil e os 70 anos da televisão no Brasil

source

Continue lendo
Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esportes

Após eliminar finalista da última Copa Brasil Sub-20, Angelo Chaves quer ajudar o Coritiba a derrubar o atual campeão brasileiro da categoria

Publicado

on


O Coritiba está na terceira fase da Copa do Brasil sub-20 de 2021. Para chegar nesta etapa, o Coxa superou o Bahia, que na última temporada foi vice-campeão da competição sendo derrotado pelo Vasco na final. No jogo de ida, no Paraná, diante do Bahia, o alviverde venceu por 1×0 e na volta, em Salvador, o duelo terminou empatado em 2×2.

Titular nos dois jogos contra o tricolor baiano, o lateral-esquerdo Angelo Chaves enalteceu a classificação. “Estava um período fora por lesão e retornei justamente nestes duelos complicados contra o Bahia. Para mim significou muito conseguir atuar nas duas partidas e ajudar na classificação do Coxa. O Bahia é uma equipe forte e o fato de termos superado eles nos dá confiança para a sequência da competição”, admitiu o camisa 6.

Na terceira fase da Copa do Brasil Sub-20, o Coritiba vai medir forças com o Atlético Mineiro, que na última temporada foi o campeão brasileiro da categoria. O primeiro duelo acontece neste domingo, às 20h30, em solo paranaense. “São duas forças do futebol brasileiro e que tem muita qualidade. Acredito em dois grandes jogos, assim como foi diante do Bahia. Partidas eliminatórias são resolvidas nos detalhes. Temos que entrar atentos para passarmos de fase”, declarou Angelo Chave.

Capitão da equipe Sub-20, Angelo Chaves constantemente é chamado para compor os treinamentos do elenco profissional do Coritiba. Ele pretende aproveitar a sequência de jogos que vem tendo na Copa do Brasil sub-20 para quando for chamando pelo técnico Gustavo Morínigo estar em boas condições. “Acredito que esse processo de transição para o profissional que estou vivendo é importante eu ter boas atuações e, assim, manter um bom ritmo. Tudo isso para que quando tiver oportunidade entre os profissionais eu esteja preparado”, finalizou.



Continue lendo

Esportes

Estreante no Paulistão, Sousa comemora vaga na semifinal e projeta nova decisão pelo Mirassol

Publicado

on


É apenas a primeira vez de Sousa no Campeonato Paulista e, apesar de ser estreante na competição, o desempenho é de um veterano no torneio. Isso porque o jogador é titular e uma das importantes peças da equipe, que garantiu na quarta-feira (12) a classificação para a semifinal.

Presente em oito jogos, com apenas uma derrota, o paraibano, natural de Olivedos, é só elogios nesta temporada de 2021. “Estou muito feliz aqui no Mirassol, só posso agradecer pela oportunidade de estar aqui. O nosso grupo é fantástico e a comissão técnica é excelente. O trabalho vem sendo muito bem feito por todos e dentro de campo estamos dando o nosso máximo para levar o clube ao topo. Passamos por uma grande decisão contra o Guarani e agora é lutar mais uma vez para tentar chegar na grande final”, contou o volante de 26 anos.

Apesar do adversário indefinido na semifinal, Sousa projeta a decisão, que deve acontecer neste final de semana. “Estamos em uma semifinal de Campeonato Paulista, não tem como ficar escolhendo adversário, queremos chegar na final e vencer, e para isso temos que encarar quem vier pela frente. Respeitamos todas as equipes que chegaram até aqui, todas são fortes, assim como nós. Vamos nos preparar bem nesses próximos dias para fazer um grande jogo e buscar a vaga na final”, concluiu.



Continue lendo

Esportes

“Projeto Cuidar” realiza trabalhos multidisciplinares no Clube de Regatas Flamengo

Publicado

on


Com intuito de acolher e desenvolver jovens atletas e cidadãos em situação de vulnerabilidade social, o Clube de Regatas Flamengo possui em suas instalações o “Projeto Cuidar”, que realiza diversos cuidados físicos e psicológicos em nove modalidades do clube, incluindo o nado sincronizado, natação e polo aquático.

Os atletas recebem o monitoramento do “Projeto Cuidar”, que realiza consultas na parte de psicologia, nutrição, fisioterapia, medicina, estatísticas, fisiologia e preparação física. Isabel Miranda, Gerente de ciências do esporte do Flamengo, explica o objetivo da estrutura para os atletas.

“Nosso intuito é aprimorar a interdisciplinaridade do esporte, que é a troca de conhecimento entre várias áreas, inclusive, as informações que os treinadores possuem. Assim podemos atender os atletas de uma forma mais abrangente e conseguir proporcionar novos conhecimentos”, comenta Isabel.

Atualmente, o projeto possui 40 profissionais atuantes que oferecerem exames clínicos, cardiológicos, avaliação da qualidade visual, saúde bucal entre outros exames que todos atletas antes de fazer parte do time rubro-negro são submetidos.

“É preciso passar por todos os exames, exigimos que apresentem um atestado. Nenhum atleta entra ou permanece no clube estando com problemas apontados por esses exames. Neste ano, tivemos dois casos de atletas que foram detectados alterações nos exames. Um foi levado para a cirurgia, mas voltou a treinar normalmente. Enquanto outro atleta está passando por mais exames após ser detectado alterações durante as avaliações médicas”, explicou a profissional.

Além dos exames, os atletas são avaliados periodicamente no começo, meio e final do ano para monitorar a saúde e o desenvolvimento esportivo durante a temporada. Esses cuidados são fundamentais para prevenir possíveis lesões durante campeonatos e preservar a saúde dos esportistas.

Em 2019 e 2020, a equipe realizou 25 mil atendimentos nas áreas multidisciplinares que cuidam da saúde dos atletas de base e profissional. Mesmo com a pandemia da Covid-19, a equipe do “Projeto Cuidar” realizou atendimentos online, palestras, preparação física e treinamento para todos atletas do clube.

“O mais importante disso tudo é a gestão do processo! Não adianta possuir diversos profissionais, mas que não estão engajados e trabalhando juntos. Já que o esporte de alto rendimento abrange vários fatores e abordagens físicas, técnicas, táticas, mental, social e psicológica. Então para isso precisamos ter uma equipe multidisciplinar trabalhando unida”, finalizou Isabel.

Sobre a PAB

A Liga Brasileira de Polo Aquático (PAB) foi criada com o objetivo de difundir a modalidade no Brasil. Para isso ela busca o protagonismo de clubes, atletas e técnicos com foco no fomento do esporte no médio e longo prazo, evidenciando a visão coletiva que representa os interesses do polo aquático.

A Liga Brasileira de Polo Aquático foi fundada com a participação de dez clubes em março de 2016: Club Athletico Paulistano (SP), Clube Jundiaiense (SP), Clube Paineiras do Morumby (SP), Clube de Regatas do Flamengo (RJ), Esporte Clube Pinheiros (SP), Tijuca Tênis Clube (RJ), Fluminense Football Club (RJ), Clube Internacional de Regatas (SP),  Serviço Social da Indústria – SESI-SP (SP) e Associação Brasileira “A Hebraica” de São Paulo.

Acompanhe as redes sociais da PAB

A página oficial da PAB no Facebook: https://www.facebook.com/ligapoloaquaticobrasil/

Acompanhe o Twitter: https://twitter.com/LigaPAB

Veja as fotos no Instagram: https://www.instagram.com/poloaquaticobrasil/

Acompanhe os novos vídeos no Youtube:

https://www.youtube.com/channel/UCFz0pL4MkUdNGyGp1blcJnA/about





Continue lendo

Mais Vistos