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Não se deve menosprezar a capacidade de um surdo, diz pesquisador

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Entre livros, aulas e pesquisas, Messias Ramos Costa se prepara para defender seu doutorado em Linguística, pela Universidade de Brasília (UnB). Enquanto trabalha e participa da entrevista com a Agência Brasil sobre o Dia Nacional dos Surdos, seu cão lhe indica que há alguém batendo na porta. É assim que dribla a falta de audição enquanto comenta sobre o intercâmbio que realiza em Lisboa para que sua pesquisa seja contemplada. “Minha proposta é fazer um projeto mundial de interação entre os países na área de linguística em línguas de sinais.”

Na conversa por videoconferência, Messias conta não sobre a  importância do Dia Nacional do Surdo, mas analisa como a comunidade surda passou a ter, cada vez mais, lideranças para lutar por seus direitos.

A rotina de Messias é alternada entre as dificuldades de comunicação ao ir a um banco ou pela novidade de poder consultar com o médico com a participação de um intérprete por meio de um aplicativo de celular. “Antes havia muita confusão, mas devido à luta da comunidade surda, a gente consegue. Fico muito feliz de ter conseguido ter essa interação na  área de saúde.”

Ele foi o primeiro professor substituto da disciplina Língua de Sinais Brasileira (LSB), no Curso de Letras do Departamento de Linguística, onde dá aulas há mais de dez anos. Até chegar a um currículo extenso de estudos, voluntariado e projetos premiados, teve que enfrentar uma trajetória onde não havia diretrizes de acessibilidade aos surdos. Da infância à adolescência, cresceu sendo oralizado até que conheceu a  Língua Brasileira de Sinais (Libras) aos 17 anos. “Foi então que eu comecei a me enturmar com a sociedade. Por mais que houvesse desafios, eu conseguia vencer”. 

Sobre a entrevista

A entrevista foi realizada por videoconferência com a participação da intérprete da EBC, Brenda Rodrigues. A conversa é apresentada a seguir no modelo de perguntas e respostas. O português é o segundo idioma para os surdos e, apesar de não ser ser capaz de reproduzir o sinal que os identifica em Libras, o texto escrito permite que mais pessoas com alguma deficiência tenham acesso ao conteúdo. Além disso, o site da Agência Brasil disponibiliza a ferramenta VLibras, que simula as letras e expressões em Libras por meio de um avatar para traduzir determinados vocabulários menos comuns aos surdos.

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Agência Brasil: Qual a importância do Dia Nacional dos Surdos, garantida por uma lei de 2008?

Messias Ramos Costa: É de extrema importância ter o Dia da pessoa surda, da identidade e cultura surda.Esse dia foi criado no o INES [O Instituto Nacional de Educação de Surdos foi criado em 26 de setembro de 1857, sendo a primeira instituição de ensino do tipo], no estado do Rio de janeiro, e se espalhou pelo Brasil. O surdo francês Huet  [Messias mostra o sinal identificativo de Huet em Libras] veio para o Brasil e começou a ensinar a língua de sinais para as crianças surdas  e fez a divulgação da língua por todos os estados do Brasil. Ele foi a liderança da luta e movimentos da língua de sinais. Por isso é importante ter o dia do surdo, para lembrar a história e agradecer a essa pessoa, Huet, que alavancou a luta e possibilitou melhorias nas políticas de acessibilidade em diferentes estados do Brasil.

Agência Brasil: Diante de tantos desafios e dificuldades que o surdo enfrenta, como foi se tornar professor e pesquisador?

Messias Ramos Costa :Eu lembro quando eu era criança fui ensinado a oralizar e tinha várias barreiras na comunicação não me sentia bem, tinha várias dificuldades, não havia comunicação. Com o tempo,  aprendi a língua de sinais, comecei a aprender com 17 anos. Ali eu comecei a ter aquisição da língua e da sociedade surda e progredi, me sentia melhor. Eu me esforcei, a língua de sinais me auxiliou muito em diferentes coisas, na informação, no aprendizado eu tinha um entendimento certo das coisas. Eu tinha uma identidade, a identidade surda. Tive autonomia no aprendizado em correr atrás, pedagogia, também fiz magistério, depois fiz o curso de Letras – Libras, depois fiz a pós-graduação e o mestrado em Linguística pela UnB [Universidade de Brasília] e ali  fui adquirindo mais consciência. Faz dez anos que trabalho como professor pela UnB. Um líder que me ensinou, o Antônio Campos [faz o sinal dele em Libras] me aconselhou que eu me desafiasse a ter experiências novas. Isso foi  se somando ao longo dos anos, e consegui vencer todas essas barreiras. 

Agência Brasil: O senhor é exemplo para muita gente por ter chegado aonde chegou. O que mudou para surdo ao longo da sua trajetória?

Messias Ramos Costa: O principal da minha história é que não tinha lei, pelo não tinha a lei de 2002 de Libras. Então, até ali era muito difícil porque, dentro das escolas, não tinha inclusão, nada disso. Hoje é diferente, já tem atendimento em português como segunda língua. O surdo consegue ter uma aquisição melhor, ele consegue aceitar melhor sua identidade surda. Ele consegue vencer. O surdo hoje tem referências de líderes para copiar e aprender. Hoje é mais possível se sobressair. O surdo é capaz, ele consegue, ele luta, ele se acredita como pessoa com a sua identidade surda com a sua própria língua. Alguns jovens que estão crescendo amam aprender, ter essas novas experiências e eu tenho orgulho de poder ajudá-los.

Agência Brasil: Temos duas leis importantes para a comunidade surda, a de Libras em 2002 e do Dia Nacional do Surdo, em 2008. Quais desafios para que essas leis sejam mais valorizadas?

Messias Ramos Costa: Essas são leis principais porque ajudam muito na luta da comunidade surda, na luta de diferentes áreas e diretrizes. Por exemplo, na área da escola, de saúde e trabalho. Essa  comunicação é essencial, manter esse contato, essa interação entre a sociedade. 

 

É um direito do surdo se comunicar. É importante evitar oprimir, menosprezar a capacidade, a inteligência de um surdo. 

Messias Ramos Costa: E essa lei trouxe essa segurança de dar direitos a esses valores da comunicação. Temos também a LBI [Lei Brasileira de Inclusão]  que hoje precisa de alguns ajustes para ajudar a  comunidade na área da linguística. 

Agência Brasil – Quais são seus desafios diários como cidadão?

Messias Ramos Costa: Sempre estou em diferentes lugares utilizando Libras. Nisso, falta acessibilidade de comunicação nos hospitais, nos bancos. Mas, aos poucos, vai se aumentando essa inclusão. Futuramente, essa questão de sentir-se oprimido por causa da comunicação deve diminuir. Exemplo pessoal: no ano passado fui no hospital e foi muito difícil me comunicar  com alguém. Hoje não, hoje eu consigo usando um aplicativo que coloca o profissional e o intérprete e permite a comunicação com o médico por meio das Libras. Então, estou muito  feliz de ter conseguido ter essa interação na área de saúde. Antes havia muita confusão, mas devido à luta da comunidade surda, a gente consegue. 

Agência Brasil – Hoje já temos surdos em um cargo de alto escalão do governo. Como o senhor avalia a inclusão da comunidade surda no mercado de trabalho?

Messias Ramos Costa: É importantíssimo ter uma representante surda dentro do governo pois isso mostra como, por exemplo, a Priscila Aguiar [atual secretária de Inclusão da Pessoa com Deficiência] e outras pessoas que estão no Ministério da Educação, a Cristiane, mostram que …dentro do governo, precisa esse vĩnculo de comunicação. É importante a inclusão da pessoa surda nesse governo. Mostrar que o surdo tem o direito de mostrar os seus valores a comunicação.

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Duelo Náutico x Vasco pode definir destino das equipes na Série B

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Todos os 2610 ingressos colocados à disposição da torcida do Náutico que encara o Vasco neste domingo (24) no Estádio dos Aflitos, já foram vendidos. Só restam ingressos para os cruzmaltinos, que terão, pela primeira vez na competição, direito a 290 lugares como torcida visitante. O duelo em Recife, válido pela 31ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro, terá início às 16h (horário de Brasília). A Rádio Nacional transmitirá o jogo ao vivo, com narração de André Luiz Mendes, comentários de Mário Silva e reportagem de Bruno Mendes.

As duas equipes buscam chegar ao G4 para garantir o retorno à primeira divisão do futebol nacional no ano que vem. Apenas dois pontos separam a equipe carioca (46) do time pernambucano (44). O Timbu vem de três vitórias consecutivas, a última delas por 3 a 2 contra a Ponte Preta em Campinas (SP).  O Náutico não vai contar com o zagueiro Camutanga, que cumpre suspensão, mas terá o bom momento do goleiro Anderson.

“Vai ser um dos jogos mais difíceis, pelo momento da tabela e vai decidir quem continua brigando lá em cima e quem vai ficar um passo atrás”, analisou o arqueiro alvirrubro durante coletiva. 

O Vasco superou o Coritiba por 2 a 1 na última rodada e precisa vencer ao menos seis dos últimos oitos jogos para conquistar o acesso à Série A. Um dos jogadores em ascensão no Gigante da Colina é Marquinhos Gabriel.

“O que mais preocupa a gente é a nossa recomposição. Se a gente defender mal, também vai atacar mal. Precisamos estar juntos dentro de campo e buscar um equilíbrio”, defendeu o meia vascaíno.

No primeiro turno, em São Januário, Vasco e Náutico empataram em 1 a 1 e o resultado culminou com a demissão de Marcelo Cabo, o então técnico do Cruzmlatino. Lisca assumiu na sequência e depois deu lugar a Fernando Diniz, o atual treinador. Já o Timbu demitiu Hélio dos Anjos e depois o recontratou para o lugar de Marcelo Chamusca.





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São José-SP vence Marechal-PR de virada em 1º jogo das oitavas da LNF

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O São José venceu de virada o Marechal por 3 a 2 neste sábado (23) e ficou mais perto da vaga nas quartas de final da da Liga Nacional de Futstal (LNF). Jogando em São José dos Campos (SP), com presença da torcida no Ginásio Tênis Clube, o time da casa foi para o intervalo perdendo por  2 a 0, mas conseguiu uma recuperação emocionante no segundo tempo, garantindo a vantagem do empate no jogo da volta, no Paraná, no próximo dia 29. O embate deste sábado (23) foi transmitido ao vivo pela TV Brasil. 

Os donos da casa tomaram a iniciativa do jogo no primeiro tempo, mas foi o Marechal que abriu o placar aos 9 minutos com Malcom, aproveitando a bola levantada em escanteio. Foi o sexto gol dele na competição. Após sofrer o primeiro gol, o São José se desconcentrou e três minutos depois Dickson marcou o segundo dos visitantes, após bela assistência de Índio, goleiro de linha. Nos segundos finais da primeira etapa Xuxa quase descontou para os donos da casa.

Após o intervalo, o São José entrou em quadra determinado a mudar a história do jogo. O primeiro gol dos donos da casa saiu aos seis minutos:  Wandinho mandou uma bomba e a bola ainda desviou em Alisson antes de entrar. 

O São José seguiu pressionando até que aos 11 minutos chegou ao empate com Jhonatan Bob, após dois chutes: no primeiro o goleiro Obina espalmou, mas a bola volta nos pés de Bob que acertou em cheio o fundo da rede. Jogadores do Marechal reclamaram de falta do jogador Gabriel, camisa 6 do São José,  em cima de Obina, mas o arbitragem não marcou. O gol da virada do time da casa saiu a menos de dois minutos do fim, com Alisson, com um chute direto da entrada da área, sem chance para o goleiro Obina. Foi o segundo dele na partida.

Nos segundo finais, o Marechal quase arranca o empate, mas a vitória ficou mesmo com o São José, que mantém a invencibilidade dentro do Ginásio Tênis Clube: em sete jogos, soma agora seis vitórias e um empate.

Classificação às quartas

De acordo com o regulamento da LNF 2021, quem conseguir duas vitórias, ou uma vitória e um empate, avança às quartas de final. No caso de dois empates ou vitórias alternadas, a definição da vaga ocorrerá após prorrogação.Serão 10 minutos suplementares, divididos em dois tempos de 5 minutos, sem intervalo, com inversão de lados. O time com melhor colocação na fase classificatória leva a vantagem do empate no período suplementar.





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Neymar se recupera e pode atuar no duelo PSG x Olympique Marseill

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Neymar se recuperou de uma lesão na virilha e pode se reunir a Lionel Messi e Kylian Mbappé no ataque do Paris Saint-Germain (PSG) para o clássico contra o Olympique Marseille neste domingo (24).

O atacante brasileiro, fora da vitória em casa por 3 a 2 sobre o RB Leipzig pela Liga dos Campeões na última terça-feira (19) não apareceu no boletim médico e deve ser relacionado.

O zagueiro Sergio Ramos, que ainda não jogou desde que chegou do Real Madrid durante a última janela de transferências por um problema na panturrilha, ainda está treinando sozinho, e o meia argentino Leandro Paredes será desfalque por lesão na coxa.

“Neymar está disponível para o jogo”, disse o técnico Mauricio Pochettino neste sábado (23).

O PSG venceu oito dos seus últimos dez jogos contra o Olympique Marseille, que estará em busca de sua primeira vitória no Vélodrome contra o time da capital em dez anos.

Staff Reuters

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