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Coluna – Yohansson para a história

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Seis medalhas paralímpicas, 11 em Mundiais e oito em Jogos Parapan-Americanos, ao longo de 15 anos. Um retrospecto que, por si só, mostra o tamanho de Yohansson Nascimento no paradesporto brasileiro. No fim de semana, ele anunciou que estava encerrando a carreira nas pistas. Foram várias as mensagens em redes sociais publicadas por companheiros do atletismo e até outras modalidades (paralímpicas ou não), que dirimiram qualquer dúvida que pudesse existir sobre o que representa o alagoano de 33 anos para o movimento.

Não significa que Yo, como é chamado pelos amigos, esteja dando adeus ao esporte. No próximo dia 30, o alagoano será candidato à vice-presidência do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), em disputa com o atual vice, Ivaldo Brandão Vieira. Em condições normais, ele até teria conseguido se despedir na Paralimpíada de Tóquio (Japão) – para a qual já tinha índice – mas o adiamento dos Jogos, devido à pandemia do novo coronavírus (covid-19), antecipou os planos do atleta.

“A próxima eleição só seria em quatro anos. Vi que seria a melhor hora para tomar essa decisão. Ela é difícil para qualquer atleta, independente do rumo. Não foi algo do dia para noite. Essa decisão foi tomada aos poucos, muito pensada”, explica Yo. A minha intenção era terminar a carreira em uma Paralimpíada. De qualquer forma, fico feliz porque, no ano passado, fui para meu sexto Mundial, em Dubai [Emirados Árabes], consegui outra medalha [bronze nos 100m] e fiz o melhor resultado da minha vida [10s69]”, completa.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Não é o fim de uma carreira e sim o início de uma nova jornada. Foi uma decisão difícil de ser tomada, por todas as circunstâncias, de ter índice para Tokyo, de ter feito na minha última competição o melhor resultado da minha vida e saber que eu podia melhorar. Abri mão de um sonho individual por um sonho coletivo. Quero poder devolver tudo que o esporte me proporcionou, da oportunidade aos atletas chegarem ao lugar mais alto do pódio. Saber que estou contribuindo com tudo isso que vem sendo feito ao longo desses anos no esporte paralímpico, que toda criança com deficiência que um dia sonha em se tornar um grande atleta, possa representar sua cidade, seu estado e até nosso Brasil. Agradeço a todos que estão e estiveram ao meu lado nesses 15 anos de uma carreira repleta de medalhas. Continuarei dando meu melhor…

Uma publicação compartilhada por Yohansson Ferreira (@yohanssonf) em 17 de Out, 2020 às 4:02 PDT

 

Yohansson nasceu sem as duas mãos. Natural de Maceió (AL), abraçou o atletismo paralímpico em 2005, aos 17 anos. Dois anos depois, representou o país no Parapan do Rio de Janeiro e arrebatou três medalhas de ouro, nos 100m, 200m e 400m. Em 2008, na primeira Paralimpíada da vida, não se intimidou com o estádio de Pequim (China) lotado, com cerca de 80 mil pessoas, e subiu duas vezes ao pódio, com o bronze nos 100m e a prata no revezamento 4 x 100 metros. Já na edição seguinte, em Londres (Reino Unido), a glória máxima: ouro nos 200m e recorde mundial.

A conquista na capital britânica veio acompanhada do pedido de casamento à então namorada Thalita. Desse amor, nasceu Yan, que comemora dois anos nesta terça-feira (20) e foi presentado com as duas últimas medalhas do pai – antes do bronze em Dubai, teve a prata dos 100m no Parapan de Lima (Peru). “Acho que consegui ser totalmente realizado na minha carreira”, afirma Yohansson, que, a julgar pela disposição do filho, terá que manter o preparo físico em dia, mesmo aposentado.

“Ele tem muita energia. Nunca vi um menino que gosta tanto de correr [risos]. Com certeza, vou incentivá-lo à prática esportiva. O esporte é muito transformador. Não sei se ele seguirá a vida de atleta, mas tem muito do meu DNA. Quando ele corre, eu tenho que estar preparado para correr atrás dele”, brinca o agora ex-velocista da classe T-46 (amputados de membros superiores).

Legado e referência

“Apesar de ter uma tristezinha no coração de todo mundo, pois teve muito atleta que chorou sabendo da notícia, eu sei que fica muita gratidão, muita energia boa. O Yo é muito além de medalhas” afirma Verônica Hipólito.

O que a velocista fala do amigo resume muitas das mensagens direcionadas a Yohansson após o anúncio da aposentadoria. Várias das postagens foram de atletas agradecendo pelo apoio em algum momento das respectivas carreiras. A própria Verônica guarda, com carinho, o auxílio antes da prova de 200m que a consagrou campeã mundial em Lyon (França), há sete anos, na classe T-38 (paralisia cerebral).

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

22/07/2013. . . . Há exatos 7 anos e 1 dia eu me tornei campeã mundial. Para muitos é somente mais uma página na minha vida, mas para mim foi um divisor de mares. E a parte mais irônica disso tudo é que eu queria desistir. Na final dos 200 metros, na câmara de chamada, eu estava me tremendo de medo. E foi aí que chegou o cara mais mal encarado que eu já tinha conhecido : Yohansson. Senhor Yohansson. Eu nem o conhecia e já não gostava dele. A prova dele ,também final dos 200 metros, seria uns 5-10 minutinhos após a minha. Ele perguntou na lata “Tá com medo do que?” quando me viu, e me encorajou, talvez até sem saber disso, e quando eu estava indo correr, gritou “VERÔNICA, SE DIVIRTA”. . . . Eu não sei o que teria acontecido se eu tivesse desistido. Na verdade, nem penso nisso. Eu sei que eu corri a final. Foi um dos momentos mais loucos e divertidos da minha vida. Até hoje, quando me lembro, me dá forças. E foi após ter ganho esse mundial que minha vida – e de toda a minha família, mudou: assinei com a Nike, Petrobras, Nissan, Coca Cola, Ajinomoto, Nescau, passei a receber Bolsa Pódio, fazer palestras e receber por isso, matérias na Folha, Estadao, Veja, Uol, Vogue, OTD, Globo; conheci o mundo, ganhei amigos, aprendi muito entre tantas outras coisas. . . . E foi aí que o Senhor Yohansson virou o Yo. O cara que bato no peito e falo que é meu melhor amigo. E desde então tivemos risadas e brigas. Você me ensinou muito, estava ao meu lado quando gritei aos céus “ POR QUE COMIGO??” quando descobri que iria operar em 2017, e quando perdi o chão por saber que iria operar em 2018 novamente. Você estava me esperando no banheiro feminino enquanto eu chorava escondida, e me acalmou todas as vezes que eu iria fazer besteira. Ligou para mim para contar que teu sonho de ser pai se tornou realidade, e até para me contar ações que estavam descontadas 😂♥️ . . . @yohanssonf, você me disse há muito tempo sobre realidade e ilusão. Que a realidade era meu pai, minha mãe e meu irmão. E hoje eu discordo completamente de você. Você é realidade também. . . . Obrigada por tudo, irmão.

Uma publicação compartilhada por Verônica Hipólito (@vehipolito) em 23 de Jul, 2020 às 3:39 PDT

Sucessor, de certa forma, da trajetória do alagoano, o campeão (e recordista) mundial e paralímpico Petrúcio Ferreira também fez reverência ao amigo, com quem dividiu muitos pódios internacionais. O último deles exatamente no Mundial de Dubai, quando a dupla – Petrúcio ouro, Yohansson bronze – ainda teve a companhia de Washington Júnior, em uma premiação 100% brasileira.

Outro que manifestou gratidão foi Fabrício Ferreira. Medalhista de bronze nos 100m do Mundial do ano passado, na classe T-12 (baixa visão), o velocista teve auxílio do alagoano para adquirir uma sapatilha própria para corrida, no início da carreira. “Meu ídolo e grande amigo. Você sempre foi e sempre vai ser minha referência”, comentou Fabrício, na postagem em que Yohansson anunciou a despedida das pistas.

Campeonato Mundial de Atletismo em Dubai, Emirados Árabes - 100m T47 - Yohansson Nascimento no meio, com  Petrúcio Ferreira à esquerda, e Washington Júnior à direita.
Campeonato Mundial de Atletismo em Dubai, Emirados Árabes - 100m T47 - Yohansson Nascimento no meio, com  Petrúcio Ferreira à esquerda, e Washington Júnior à direita.

Yohansson Nascimento no Mundial de Atletismo em Dubai ( Emirados Árabes):  atleta no meio, entre Petrúcio Ferreira à esquerda, e Washington Júnior à direita. – Daniel Zappe/Exemplus/CPB/Direitos Reservados

“As pessoas me auxiliaram tanto no meu início que eu também queria poder fazer isso com o que recebi. Quando se chega ao auge, o atleta se torna uma inspiração a novos atletas. Essa foi sempre uma responsabilidade que carreguei. Não como uma pressão, mas como gratidão”, conta Yo, fazendo menção a duas referências que teve no atletismo paralímpico.

“A Rosinha [Roseane Ferreira dos Santos, arremessadora], que conquistou dois ouros nos Jogos de Sydney [Austrália, em 2000], foi uma pessoa com quem aprendi muito sobre o que é ser atleta, o que é ganhar uma medalha, ser exemplo. Outro foi o Antônio Delfino [velocista], que ganhou dois ouros em 2004, em Atenas [Grécia]. Lembro uma vez, em uma competição em Porto Alegre. Eu não tinha um bloco de partida [onde o atleta se posiciona para a largada] e ele me deu um. Fiquei pensando: que coração bom o dele. Ele sabe que sou da mesma categoria, que vou competir contra ele, e está me dando um material esportivo para que eu melhorar minhas marcas. Fiquei com aquilo no coração e carrego até hoje”, conclui.

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Série D: Goianésia vira para cima do Gama na abertura do returno

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O Goianésia venceu o Gama por 2 a 1 de virada na tarde deste sábado (24) pela 8ª rodada do grupo 5 da Série D, no estádio Valdeir de Oliveira, em Goianésia. O jogo marcou a abertura do returno do torneio e, com o resultado, os donos da casa seguem líderes da chave com 16 pontos. O Gama é apenas o 6º, com sete pontos. A 

O primeiro gol do jogo foi marcado pelo Gama. Aos 21 minutos da etapa inicial, em rápido contra-ataque, o atacante Mailson recebeu em profundidade, driblou o goleiro e mandou para o fundo das redes. Mas, aos 12 minutos da etapa final, a zaga do time do Distrito Federal falhou feio e saiu o gol de empate. O último a tocar na bola foi o defensor Wallace. Logo depois, aos 15 minutos, Ygor marcou um golaço completando de primeira uma bola rebatida na entrada da área e definiu a vitória dos mandantes.

O Azulão volta a jogar no domingo (1º de agosto) contra o Nova Mutum fora de casa. No sábado (31), o Gama recebe o Porto Velho.

Juliano Justo – Repórter da TV Brasil e Rádio Nacional

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Bolsa Atleta contempla 80% da delegação brasileira em Tóquio

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Nas Olimpíadas de Tóquio, no Japão, que começaram na última sexta-feira (23), 242 competidores brasileiros são bolsistas integrantes do programa Bolsa Atleta. Eles representam 80% dos 302 atletas que compõem a delegação do Brasil nos Jogos. 

Criado em 2005 pelo governo federal, o Bolsa Atleta é considerado um dos maiores programas de patrocínio individual de atletas do mundo. Em 18 das 33 modalidades que o Brasil vai disputar no Japão, 100% dos atletas são bolsistas do programa. Seis praticam tênis de mesa; oito, vôlei de praia; quatro, saltos ornamentais; cinco, ciclismo (levando em conta mountain bike e BMX); sete, ginástica artística; e três, taekwondo. Já no atletismo, 48 dos 51 esportistas fazem parte do programa e, dos 26 atletas da natação, 25 integram o Bolsa Atleta.

Aos 45 anos, Jaqueline Mourão é a representante nacional no ciclismo mountain bike e está em sua sétima edição de Jogos Olímpicos, somando sua participação em edições de verão e de inverno. Mourão também é uma das atletas que recebem Bolsa Atleta há mais tempo no país. O benefício tem sido fundamental para sua dedicação esportiva. “É a base que a gente tem, a segurança que eu tenho pra poder continuar me dedicando ao meu esporte. Sem esse incentivo, eu não teria conseguido minhas sete participações olímpicas”, afirma.   

Medalhista de prata nas Olimpíadas do Rio, em 2016, Felipe Wu é atleta do tiro esportivo, especializado em pistola de ar de 10 metros. É o único competidor brasileiro na modalidade a disputar em Tóquio. Contemplado com a Bolsa Atleta, ele elogia a flexibilidade do programa. “Com relação ao programa Bolsa Atleta, a grande importância e a vantagem dele, digamos assim, é que é um valor que chega diretamente ao atleta, diferente de outros programas, que a gente tem menos flexibilidade de usar”, afirma. 

Entenda

A solicitação para o Bolsa Atleta é feita de forma online, pelo site. Selecionados, os atletas assinam um termo de adesão e são contemplados com 12 parcelas de benefícios, depositados em conta específica da Caixa. Os valores são definidos de acordo com as seguintes categorias: atleta de base (R$ 370), estudantil (R$ 370), nacional (R$ 925), internacional (R$ 1.850), olímpico/paralímpico (R$ 3.100) e pódio (R$ 5 mil a R$ 15 mil).

Os depósitos são feitos sem intermediários e a principal prestação de contas do atleta ao governo e à sociedade “é a obtenção de resultados expressivos nas disputas”, de acordo com o Ministério da Cidadania. Este ano, o programa contemplou 7.197 atletas, com um investimento previsto de R$ 97,6 milhões.

A ciclista Jaqueline Mourão, que passa boa parte do seu tempo no Canadá se preparando para as competições de inverno, diz que o programa brasileiro é um estímulo que outros países não oferecem. “Eu passo bastante tempo no Canadá. Eu vejo a situação dos atletas lá também. E é muito legal ver um programa do governo dando essa segurança que muitos atletas de outros países não têm”. 



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Semana Internacional de Vela de Ilhabela volta às regatas presenciais

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Marcando a retomada das grandes competições de vela oceânica no Brasil, a 48ª Semana Internacional de Vela de Ilhabela abre a raia neste domingo (25) com a regata Alcatrazes por Boreste Marinha do Brasil. O evento reunirá no Yacht Club de Ilhabela (YCI) 81 barcos de várias regiões do País. Quase um quarto das embarcações são estreantes nesta temporada.

A maior prova de vela oceânica da América do Sul adota protocolos rígidos de segurança desde a entrada em Ilhabela (SP) até chegada aos píers para início das regatas. Todos os participantes devem estar testados ou vacinados segundo o regulamento.

A competição pra valer vai de domingo (25) até o sábado (31) e terá oito classes: ORC, Bico de Proa, RGS, Clássicos, Mini Transat, Multicascos, C30 e HPE25. Durante a Semana de Vela de Ilhabela, a comissão promoverá regatas de médio percurso e barla-sota, além do tradicional Torneio por Equipes e a ação de fomento à modalidade Vela do Amanhã.

Entre os inscritos para as regatas presenciais, a Bico de Proa, uma das classes mais populares da vela oceânica, chega a Ilhabela com a maior flotilha, com 19 veleiros. A ORC e a RGS também devem encher a raia com disputas acirradas. O campeonato, que segue até sábado (31), ainda contará com a força da HPE 25, que vem com 12 veleiros, seis tradicionais embarcações na Clássicos, dois representantes da nova Mini Transat e um Multicascos.

“O sentimento, às vésperas da abertura da Semana de Vela de Ilhabela, é de missão cumprida. Passamos um momento super complicado, e temos muito que agradecer ao prefeito de Ilhabela, Toninho Colucci, que nos deu o sinal verde, e ao nosso comodoro Alex Pereira. Entre todos os velejadores, o clima é de alegria por estarmos todos aqui”, destaca Mauro Dottori, organizador do evento.

A semana terá uma programação intensa, com regatas competitivas, garante Mauro Dottori. “De agora em diante, vocês verão regatas competitivas, todas aquelas velas lindas, e uma semana de programação intensa. Espero que vençam os melhores em cada classe e que tenhamos disputas inesquecíveis, porque passar por tudo o que passamos e estarmos aqui vale muito.”

Pela primeira vez na história com um evento híbrido, seguindo os grandes torneios internacionais, a Semana de Vela de Ilhabela encerrou sua Virtual Edition nesta quinta-feira (22), com a vitória do brasiliense Lucas Dantas, de apenas 16 anos. O segundo lugar ficou com Gutemberg Campelo e o terceiro com Gustavo Kunze. Ao todo, mais de 70 pessoas participaram das provas no simulador Virtual Regatta, nas classes Offshore, J-70 e Fareast 28.

Abertura

A cerimônia de abertura está marcada para este sábado (24), às 20 horas, no Yacht Club de Ilhabela. Pensando na segurança dos velejadores e equipe de produção, o local receberá todas as atividades da semana, como retirada de kits de participação e premiações das regatas.

Além disso, eventos tradicionais como a canoa de cerveja, confraternizações e atendimento à imprensa foram suspensos. A competição ainda adotou um protocolo rígido com testagens prévias e monitoramento constantes.

Na última edição com regatas presenciais, em 2019, o campeão geral da Semana Internacional de Vela de Ilhabela foi o Pajero, comandado por Eduardo Souza Ramos, conquistando seu 11º título, com o melhor desempenho entre todos os 123 participantes. A equipe também venceu a tradicional regata Alcatrazes por Boreste Marinha do Brasil, que abre o calendário.

Destaques da Semana de Vela

Outro barco comandado por Eduardo Souza Ramos está entre os destaques desta edição da Semana de Vela em Ilhabela. O novo veleiro Phoenix, um Botin 44, fará sua estreia na competição na classe ORC, e é apontado por especialistas em vela oceânica como um dos melhores projetos feitos no País, misturando velocidade e tecnologia a bordo.

“O espírito que me levou a esse barco é ter um veleiro prazeiroso, agradável no velejar em ventos médios, de popa e de través. Consegui depois de muitos anos ter roda de leme, o que me dá um conforto maior em barcos rápidos. É bom de andar e navegar”, disse Eduardo Souza Ramos, o maior vencedor da competição em Ilhabela com 11 títulos divididos em barcos como Phoenix e Pajero.

O veleiro foi construído todo em carbono pelo estaleiro ML Boats, em Indaiatuba (SP) e que teve como projetista a Botin Partners Naval Architecture. Outro destaque do barco é o grinder – peça que parece uma manivela – e será usado para subir e descer as velas, principalmente para baixar o balão. O sistema é crucial para ajudar o tático a decidir as manobras nas regatas. E, além de Eduardo Souza Ramos, a tripulação do Phoenix é a mesma que conquistou o título da última Semana Internacional de Vela com o Pajero.

Entrando na disputa pelo título, o Phytoervas 4Z Sailing Team chega a Ilhabela a bordo de um S40 completamente remodelado para fazer frente aos outros barcos da classe ORC. A equipe é formada pelo comandante Alexandre Wissenbach e outros nove velejadores com experiência em regatas de alto nível em diversas classes, a maioria com resultados expressivos em edições anteriores de Semana de Vela de Ilhabela.

A disputa deve ficar ainda mais acirrada com a participação da equipe do King, também um veleiro S40 na classe ORC, comandado por Fábio Faccio. O time contará com dez tripulantes, a maioria retornando à classe oceânica na Semana de Vela após um longo intervalo, além de um velejador mirim.

“Adquirimos o barco no ano passado e fizemos algumas regatas, já ansiosos para retornar à Semana de Vela de Ilhabela. Somos em sete sócios na equipe, todos com presença constante na competição há vários anos atrás. Paramos de competir por um tempo, devido a compromissos profissionais”, explica o comandante Fábio Faccio.

“Alguns de nós voltaram às raias de Ilhabela mais recentemente, mas de forma individual, na HPE 25. Esta será a primeira vez, depois de muito tempo, que voltamos a competir numa classe de oceano. Queremos nos divertir, reencontrar os amigos. E, quem sabe, beliscar uma das primeiras posições.”

Disputa entre amadores

Duas das classes com maiores flotilhas em Ilhabela serão a Bico de Proa e a RGS, categorias muito populares na vela oceânica. São BARCOS formadOs por equipes de amigos e familiares que garantem a festa durante as regatas.

Em modelos de cruzeiro que não sejam de alta performance. Mas sem deixar o espírito de competição de lado.

“A classe RGS utiliza uma fórmula simples para estabelecer ratings. Muitos veleiros que começam na Bico de Proa depois ingressam na RGS. É uma regra 100% brasileira e possui um custo bem acessível”.

”E isso atrai cada vez mais participantes para a Semana de Vela de Ilhabela”, aponta Alexandre Martinho, presidente nacional da RGS, garantindo que a categoria deverá ter grandes disputas na raia no litoral paulista.

“O Zeus foi o campeão da RGS em 2019, e é a equipe a ser batida este ano”, aposta.

Largada para Alcatrazes

A tradicional regata Alcatrazes por Boreste Marinha do Brasil abre a raia em Ilhabela no domingo (25) às 12h10. A Alcatrazes tem um percurso de 55 milhas náuticas contornando o arquipélago do litoral norte paulista e chegando no Farolete 4. Outras provas também fazem parte do dia como a Toque-Toque por Boreste (25 milhas náuticas) e Renato Frankenthal (10 milhas náuticas).

Vela do Amanhã

A Semana Internacional de Vela de Ilhabela quer deixar como legado o incentivo à formação da nova geração da vela oceânica no Brasil. Com a Regata Vela do Amanhã, marcada para o dia 26, alunos das escolinhas da modalidade em Ilhabela e região poderão vivenciar uma disputa de alto nível técnico, integrando tripulações experientes. Assim, eles ganharão experiência no trabalho em equipe na principal competição do gênero na América do Sul.

A Vela do Amanhã contará com as 60 crianças que fazem parte dos projetos da ilha, como a Escola de Vela de Ilhabela e a Escola de Vela Lars Grael. Todas as equipes inscritas na competição também são incentivadas a participar da ação. A inscrição pode ser feita diretamente na secretaria do Yacht Club de Ilhabela (YCI).

Uma das equipes que participará da regata com os velejadores mirins e o Boto V. “Nós sempre levamos a bordo o pessoal dos institutos náuticos, sobretudo o do Instituto Náutico de Paraty, para velejar com a equipe. É uma grande troca, somos todos entusiastas da vela. Por isso, quero convidar os comandantes dos ouros veleiros a oferecer vagas para esses jovens velejadores na Regata do Amanhã. Tenho certeza de que eles vão agregar muito às tripulações”, pede André Sobral, comandante do Boto V.

Quem estará ao lado do Boto V na Regata do Amanhã é Inaê 40, um dos barcos com tradição na Semana de Vela de Ilhabela. “Já colocamos nossa embarcação à disposição, com seis vagas para os jovens dos institutos náuticos”, conta Bayard Neto, comandante do Inaê 40.

Competições paralelas

Como nas edições passadas, a 48ª Semana Internacional de Vela de Ilhabela terá uma série de competições paralelas para acirrar ainda mais a disputa na raia no litoral paulista. Já consolidado, o Torneio por Equipes terá times formados por barcos das classes ORC, RGS e Bico de Proa, representando clubes, associações ou cidades, para brigar pelo troféu transitório Pen Duick II.

No ano passado, a grande campeã foi a equipe “Pajero”, formada pelo Pajero (ORC), Asbar II (IRC), Zeus (RGS) e Newport (Bico de Proa). Em 2018, o CIZ formado por San Chico/ORC, Inaê 40/IRC e Zeus/RGS foi o vencedor.

Já a classe C30 definirá o campeão brasileiro nas regatas da semana, em Ilhabela. Os barcos somarão pontos em todas as regatas entre 25 e 31 de julho.

Troféu da 48ª SIVI

O troféu oficial da 48ª Semana Internacional de Vela de Ilhabela será o Krishna. O modelo German Frers de 36 pés foi construído no início da década de 70 e brilhou em regatas nacionais e internacionais como Santos-Rio e Newport Bermudas Race. A embarcação teve Eduardo Souza Ramos, maior campeão da Semana de Vela de Ilhabela, como seu primeiro comandante depois passando pra Roberto Pellicano, que tem uma família de velejadores de ponta.

As homenagens aos barcos antigos no evento começaram em 2006, e têm como objetivo prestigiar embarcações que contam a história da vela brasileira.

Em busca do impacto zero

Desde 2016, a Semana Internacional de Vela de Ilhabela adota medidas para conter a poluição dos oceanos. A competição não utiliza mais canudos de plástico e produtos descartáveis como copos, nas dependências do Yacht Club de Ilhabela. Além disso, o envio de resultados e instruções aos velejadores tem sido feita de forma digital, diminuindo o uso do papel.

O evento também está linkado ao movimento batizado #JulhosemPlastico ou Plastic Free July. A iniciativa criada em 2011 vai de encontro aos dados alarmantes das Nações Unidas, que aponta o maior desafio do século XXI é justamente o plástico.

Diretor do departamento de meio ambiente do YCI, responsável pelas medidas, Júlio Cardoso se destacou nos últimos anos por registrar a chegada de animais marinho no Canal de São Sebastião. As regatas ocorrem durante o processo migratório das baleias jubartes passando pelo litoral norte rumo à Abrolhos (BA). E Júlio Cardoso deverá fazer algumas expedições de observação de baleias e golfinhos, para reforçar a conscientização das pessoas sobre a preservação da vida marinha.



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