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Internacional

Especialistas apontam enfraquecimento do poder dos EUA no Afeganistão

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Neste domingo (2), completam-se 10 anos da morte de Osama Bin Laden, líder da Al Qaeda. Sob acusação de liderar o ataque terrorista de 11 de setembro de 2001, o saudita foi encontrado em uma casa no Paquistão e morto a tiros em uma operação do governo dos Estados Unidos cheia de controvérsias.

Especialistas ouvidos pela Agência Brasil apontam a ação como um espetáculo midiático, mais simbólico do que com consequências práticas, e que pretendia dar respostas aos anseios dos norte-americanos que enfrentavam a crise econômica de 2008.

O antropólogo Paulo Gabriel Hilu, coordenador do Núcleo de Estudos do Oriente Médio na Universidade Federal Fluminense (UFF), avalia que a morte de Bin Laden teve pouco impacto no jihadismo (guerra santa muçulmana) global. “Desde 2007, o império norte-americano no Oriente Médio já estava em retração, já tinha retirada de tropas, fechamento de base, e isso levou a um declínio da lógica do jihadismo e, por outro lado, a própria Al Qaeda já enfrentava dificuldades graves de controle interno.”

Para o doutor em Ciências Sociais Marcelo Buzetto, presidente do Instituto de Estudos de Geopolítica do Oriente Médio, a operação teve como objetivo político resgatar a popularidade do então presidente Barack Obama. “[Ele] cumpriu uma promessa que outros governos tinham feito, e não tinham cumprido até aquele momento, de matar o Bin Laden. Agora, para o povo do Afeganistão, é uma tragédia. Uma tragédia humanitária sem igual”, aponta o pesquisador, destacando que, naquele momento, a invasão já completava 10 anos.

A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que, entre 2010 e 2019, 100 mil civis foram mortos na Guerra do Afeganistão.

Afeganistão

Apesar de ter sido encontrado em território paquistanês, a invasão dos Estados Unidos no Afeganistão completará 20 anos em setembro, tendo em vista que ocorreu logo após o ataque às Torres Gêmeas, em Nova Iorque. A retirada das tropas norte-americanas foram marcadas para a partir de 1º de maio e devem terminar em 11 de setembro deste ano. Segundo a Casa Branca, essa partida seria “coordenada” e simultânea com o das outras forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Buzetto questiona o fato de a invasão militar perdurar tantos anos, tendo em vista que Bin Laden sequer foi encontrado em território afegão. Ele destaca que outros interesses norteiam a política norte-americana no Oriente Médio. O pesquisador cita, por exemplo, “um projeto de gasodutos que iria da Ásia Central até a Índia”.

“[Os Estados Unidos] têm praticamente todos os interesses: econômico, por conta do petróleo; interesse geopolítico, pois é uma área entre Europa, Ásia e África. Na época em que existia a União Soviética, era uma região central para conter o avanço soviético sobre recursos como o petróleo, e também pontos estratégicos, como Canal de Suez no Oriente Médio, boa parte do comércio internacional passa por ali. Ou seja, há interesses que são ao mesmo tempo econômicos, geopolíticos e estratégicos”, acrescenta Hilu.

FILE PHOTO: U.S. troops patrol at an Afghan National Army (ANA) base in Logar province, Afghanistan

Tropa americana no Afeganistão – Reuters/Omar Sobhani

Retirada das tropas

Arlene Clemesha, do Departamento de Letras Orientais da Faculdade de Filosofia, Letras Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), acredita que o talibã, movimento islâmico nacionalista, deve se fortalecer com a retirada das tropas da Otan. E, com isso, reduz-se ainda mais a influência dos Estados Unidos no Afeganistão. “Pairam muitas dúvidas sobre a capacidade do governo do Afeganistão se manter após a saída das tropas”.

Segundo Arlene, deve crescer o apoio a grupos jihadistas. “A gente não está mais falando da Al Qaeda, mas tem todos os seus derivados e isso com efeitos regionais, grupos que atuam de maneira clandestina, aliada ao talibã ou sob proteção em toda a região. Sempre com o mesmo tipo de narrativa e de pauta que, por um lado, é a islamização da sociedade, por outro lado, é um combate a qualquer coisa entendida como intervenção externa, como força americana ou europeia.”

Hilu aposta em um fortalecimento de forças da região. “Você vai ver Irã, China, Rússia tentando ocupar esse vazio, claro, esses não são aliados americanos, mas os países da Ásia Central também vão tentar. O Paquistão, que é um aliado americano, sempre teve interesses geopolíticos no Afeganistão, então vai ter uma disputa de potências regionais.”

Para Buzetto, algumas questões explicam a saída dos Estados Unidos da região, mas elas revelam um país que sai derrotado. Ele cita a aliança entre China e Rússia, o crescimento do Irã como potência regional, a solidariedade expressa entre iranianos e iraquianos com a morte do general Qasem Soleimani, derrotas na Síria e a criação de um eixo de resistência que reúne países e organizações populares contra a ocupação militar imperialista.

“A construção do eixo da resistência e as suas vitórias em vários campos de batalha, especialmente no Afeganistão, Iraque e na Síria e no Iêmen, tem imposto para os Estados Unidos como única saída se retirar”, avalia. Ele aponta que a permanência na região colocaria os soldados norte-americanos em situação de risco permanente.

Controvérsias

As informações repassadas pelo governo norte-americano sobre a morte de Osama Bin Laden ainda carregam muitas dúvidas. Entre elas, o fato de os Estados Unidos não ter apresentado provas, como comumente é feito, do líder terrorista capturado. Dois anos após a morte, a divulgação das fotos do corpo do líder da Al Qaeda ainda era discutida na Justiça estadunidense.

Segundo informações do Pentágono, ele foi abatido em um esconderijo na cidade de Abbotabad, próximo a Islamabad, capital paquistanesa. A operação não foi comunicada ao Paquistão. O governo paquistanês criticou à época os ataques com drones (aviões não tripulados) americanos e as ações não comunicadas aos paquistaneses por parte dos americanos, como a operação militar que resultou na morte de Bin Laden.

A falta de transparência levanta muitas dúvidas desde então, inclusive sobre a própria morte de Bin Laden, tendo em vista que Estados Unidos tinha, historicamente, uma aliança com a Al Qaeda, por exemplo, quando apoiou o grupo islâmico no enfrentamento das tropas soviéticas na década de 1980, conforme explica Hilu.

“Os americanos montam um esquema em que os aliados dos Estados Unidos libertam jihadistas que estavam presos, facilitavam pra eles o visto para ir pra Inglaterra, lá eles são recrutados e mandados para o Norte do Paquistão. Os Estados Unidos dão as armas; a Arábia Saudita dava a ideologia, uma versão do Islã militante, intolerante e combativo; e o Paquistão dava a logística territorial, mas também dava logística de inteligência pelo serviço secreto do Paquistão para dentro do Afeganistão. Então a Al Qaeda é fruto disso”, relembra.

Buzetto não descarta a possibilidade de algum acordo que possibilitasse a Bin Laden um “desaparecimento”, dando respostas aos anseios de “justiça ou vingança” dos norte-americanos e favorecendo o aparato midiático dos Estados Unidos.



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Internacional

Corte determina julgamento de Airbus e Air France por acidente aéreo

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A Air France e a Airbus irão a julgamento por causa do acidente em um voo entre o Rio de Janeiro e Paris, em 2009, que matou 228 pessoas. A decisão foi tomada por um tribunal de apelações em Paris nesta quarta-feira (12).

A medida reverte uma decisão de 2019, de não apresentar acusações contra nenhuma das empresas em reação à tragédia, na qual os pilotos perderam o controle do Airbus A330 depois que o gelo bloqueou sensores da aeronave.

A Airbus e a Air France disseram hoje que planejam apelar da sentença em uma instância superior.

“A decisão do tribunal, que acaba de ser anunciada, não reflete de maneira nenhuma as conclusões da investigação”, disse a Airbus em comunicado divulgado por e-mail.

A Air France “insiste que não cometeu nenhum erro criminoso no cerne deste acidente trágico”, disse um porta-voz da companhia aérea, parte do grupo Air France-KLM.

O voo Air France AF447, do Rio de Janeiro a Paris, caiu no dia 1º de junho de 2009, matando todos a bordo.

Investigadores franceses descobriram que a tripulação não lidou corretamente com as leituras de perda de velocidade de sensores, bloqueados por gelo, e causou estol (perda de sustentação) ao manter o nariz da aeronave alto demais.



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Internacional

Comissão da OMS faz recomendações para evitar próxima pandemia

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Um novo sistema global transparente deveria ser criado para apurar surtos de doenças, habilitando a Organização Mundial da Saúde (OMS) a enviar pesquisadores com pouca antecedência e revelar suas descobertas, disse uma comissão de estudo da pandemia de covid-19 nesta quarta-feira (12).

A OMS deveria ter declarado o novo surto de covid-19 na China uma emergência internacional antes de 30 de janeiro de 2020, mas o mês seguinte foi “perdido” porque os países não adotaram medidas fortes para deter a disseminação do vírus, disse a comissão.

Em um grande relatório sobre a reação à pandemia, ospecialistas independentes pediram reformas ousadas na OMS e uma revitalização dos planos de prontidão nacional para evitar outro “coquetel tóxico”.

“É essencial ter uma OMS empoderada”, disse Helen Clark, copresidente da comissão e ex-primeira-ministra da Nova Zelândia, à imprensa no lançamento do relatório “Covid-19: façam dela a última pandemia”.

Ellen Johnson Sirleaf, também copresidente do grupo e ex-presidente da Libéria, disse: “Estamos pedindo um novo sistema de vigilância e alerta que se baseie na transparência e permita à OMS publicar informações imediatamente”.

Ministros da Saúde debaterão as conclusões na abertura da assembleia anual da OMS, em 24 de maio. Diplomatas dizem que a União Europeia está estimulando os esforços de reforma da agência da Organização das Nações Unidas (ONU), o que exigirá tempo.

Segundo o relatório, permitiu-se que o vírus SARS-CoV-2, que surgiu na cidade chinesa de Wuhan no fim de 2019, se transformasse em uma “pandemia catastrófica” que já matou mais de 3,4 milhões de pessoas e devastou a economia mundial.

“A situação na qual nos encontramos hoje poderia ter sido evitada”, disse Johnson Sirleaf. “Ela se deve a uma série de erros, lacunas e atrasos na prontidão e na reação.”

Médicos chineses relataram casos de pneumonia atípicas em dezembro de 2019 e informaram as autoridades. A OMS recebeu relatos do Centro de Controle e Prevenção de Doenças de Taiwan e outros, disse a comissão.

De acordo com o relatório, o Comitê da OMS deveria ter declarado emergência de saúde internacional em sua primeira reunião de 22 de janeiro, em vez de esperar até 30 de janeiro.

O comitê não recomendou restrições de viagens devido aos regulamentos internacionais de Saúde da OMS, que precisam ser reformulado, segundo o documento.



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Internacional

Latinos viajam aos Estados Unidos em busca de imunização

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Cidade do México e Lima – Um anúncio de uma agência de viagens oferece promoções para que mexicanos viajem aos Estados Unidos (EUA) a fim de receber a vacina contra a covid-19. “Quer a vacina contra a covid-19? Tem um visto para entrar nos Estados Unidos? Entre em contato com a gente”, diz o anúncio. 

Do México até a Argentina, milhares de latino-americanos estão reservando voos para os Estados Unidos a fim de se beneficiar de uma das mais bem-sucedidas campanhas de vacinação do mundo, enquanto o andamento da vacinação em seus países caminha lentamente. 

A América Latina é uma das regiões mais afetadas pela pandemia de covid-19, com o número de mortos próximo de superar 1 milhão neste mês, e muitos não querem esperar tanto por sua vez na fila da vacina.

Algumas pessoas estão fazendo os trâmites sozinhas, enquanto outras utilizam agências de viagem, que responderam oferecendo pacotes que disponibilizam um compromisso para a vacinação, voos, estadia em hotel e até alguns extras como passeios pela cidade e tours de compras.

Glória Sánchez, de 66 anos, e seu marido, Angel Menendez, de 69, viajaram no final de abril para Las Vegas, com o objetivo de tomar a dose única da vacina da Johnson & Johnson’s.

“Nós não confiamos nos serviços de saúde pública neste país”, disse Sánchez, agora de volta ao México. “Se não tivéssemos viajado para os Estados Unidos, onde eu me senti um pouco mais confortável, eu não teria me vacinado aqui”.

Um agente de viagens na Cidade do México organizou a viagem e um associado em Las Vegas conduziu o processo no lado norte-americano, disse Sánchez. 

O associado nos Estados Unidos arranjou um horário para que eles fossem vacinados, e então os conduziu a um centro de convenções em Las Vegas, onde apresentaram seus passaportes mexicanos e receberam as doses.

“Decidimos transformar a viagem em um passeio de férias e ficamos por uma semana, andamos como loucos, comemos uma comida muito cara, porém boa, e também fizemos compras”, disse. 

Enquanto a demanda dispara, os preços de voos do México para os Estados Unidos cresceram em média de 30% a 40% desde meados de março, disse Rey Sanchez, que dirige a agência de viagens RSC Travel World. 

“Há milhares de mexicanos e milhares de latino-americanos que foram para os Estados Unidos se vacinar”, disse o agente de viagens, acrescentando que os principais destinos têm sido Houston, Dallas, Miami e Las Vegas.

A Reuters não conseguiu encontrar dados oficiais sobre o número de latino-americanos que estão viajando aos EUA em busca de vacina. Os viajantes normalmente não declaram “vacinação” como motivo para a viagem.

A Embaixada dos Estados Unidos no Peru informou recentemente no Twitter que as pessoas podem visitar os EUA para tratamento médico, incluindo vacinas.

Na Argentina, um anúncio em Buenos Aires detalha o custo estimado para se vacinar em Miami: passagem aérea US$ 2 mil, hotel por uma semana US$ 550, comida US$ 350, aluguel de carro US$ 500, vacina US$ 0, totalizando cerca US$ 3.400.

Os latino-americanos que viajaram com visto de turista aos EUA, com quem a Reuters falou, disseram que conseguiram ser vacinados com documentos de identidade de seus países de origem.

* Com informações de Anthony Esposito, Cassandra Garrison e Marco Aquino – Repórteres da Reuters



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