Nascida na França e de origem senegalesa, a cantora e compositora Anaïs Sylla faz da sua trajetória de vida – itinerante e plural – a essência para criar a sua identidade musical que passa por influências da música francesa, brasileira e de sua pesquisa sobre a diáspora afro.

Após herdar os discos que sua avó e sua mãe ouviam (Sade, Oumou Sangaré, Ali Farka Touré, Stevie Wonder) e mergulhar nos estudos sobre a história da escravidão no Brasil, Anaïs iniciou seu trabalho de pesquisa histórica sobre a miscigenação e a emancipação gradual da escravidão. A descoberta do Atlântico negro tomou conta de seus pensamentos e inspirações passando a fazer parte de seu processo criativo.

Lançou em setembro de 2018, seu EP de estreia, Anaïs Sylla e trouxe em suas 4 faixas o resultado da mistura dos elementos de sua pesquisa musical e antropológica combinados à produção eclética do músico e produtor Tó Brandileone.

Ouça e assista aqui: https://vimeo.com/646049376

Anaïs Sylla compõe a cena musical paulista desde 2018 e já se apresentou em casas como Bona, Casa de Francisca, Al Janiah, Jazz B e Jazz nos Fundos. Cantou  no Prêmio Trip Transformadores  com  Luedji Luna e Nelson Sargento e nos Festivais Sangue Novo e Oferendas, ao lado de nomes como Otto e Josyara.

Seu mergulho no universo das navegações particulares e deslocamentos poéticos das migrações afro-latinas foram terreno fértil para a criação de La mer. A nova faixa explora as semelhanças fonéticas no idioma francês entre as palavras “mãe” e “mar” (“la mère”/ “la mer”)  para falar desse mar que é mãe e fonte de imensa beleza e força, que faz parte do nosso imaginário e alimenta nossas metáforas sobre a mulher e o feminino, ao passo que também carrega uma memória emocional triste da nossa história, sendo a foz para tantas vidas que terminaram ali.

Além de ser uma expressão da pesquisa da cantora e de sua investigação pessoal, o single traz em sua sonoridade camadas de vozes sobrepostas a uma base instrumental delicada e precisa. Uma linda trança das vozes ancestrais que ecoam nas travessias marítimas.

La Mer faz parte do repertório do primeiro disco de Anaïs que será lançado em fevereiro de 2022, pela Ori Records, e trará 9 canções de sua autoria, com produção de Caê Rolfsen.

DEPOIMENTOS

Lili Fialho | Diretora do clipe

Meu encontro com Anaïs foi há três anos e, desde então, nos conectamos de uma forma muito linda e potente.
Sempre ensaiamos fazer um clipe juntas e foi no início da pandemia que de fato nossas ideias começaram a tomar forma.
Ela estava isolada em Ubatuba e eu Camburi, ambas perto do mar.
Tínhamos tempo pra pensar, respirar e olhar pra tantos sonhos que a correria da vida acaba adiando… Um dia ela me ligou e contou sobre esta nova música que falava sobre o oceano, sobre o ser mulher, e que tinha um pouco de Brasil e um pouco de França.
Quando escutei pela primeira vez La Mer senti na mesma hora que precisávamos transformar essa poesia em filme.
Tinha uma força feminina e uma conexão com o mar que unia ainda mais nós duas.
Foi um processo muito lindo e extremamente feminino. Chamei outras mulheres potentes para embarcar nesta aventura. Sabia que precisava criar uma história que traduzisse essa força da mulher, mas ao mesmo tempo que fosse possível filmar durante o isolamento.
Viajamos para Ubatuba com uma equipe minúscula, mas completamente entregue ao projeto. Filmamos em menos de dois dias essa poesia visual. Sou eternamente grata a esta turma que mergulhou neste mar com a gente e tornou possível este clipe acontecer.

Anaïs Sylla 

Estou muito feliz e agradecida de abrir os caminhos do meu primeiro disco, que vai estrear no começo do ano que vem,  com essa música La Mer que, inclusive, quase nasceu com o clipe. Eu digo “quase” porque quando a compus já mandei para a Lili Fialho, a diretora do clipe. Eu mandava passo a passo o avanço dos arranjos, do a cappella até a versão final. O visual, o roteiro, a escolha das locações foram seguindo esses movimentos da construção musical, das interpretações sobre a letra. Tudo isso foi se entrelaçando

A Lili é do litoral norte de São Paulo, caiçara e tem essa relação muito presente e forte com o mar, então foi muito natural pensar com ela esse clipe.

Eu escrevi essa música numa temporada que passei na praia, durante a pandemia. Ela surgiu de uma brincadeira entre o francês e o português (la mer, la mère, o mar, a mãe), e acredito que ela veio curar também tantas dúvidas que eu tinha como mulher sobre o desejo ou não de ser mãe, veio curar sobretudo as dores que eu senti neste momento tão trágico pelo qual estamos passando. Senti uma cura nessa mãe mar, la mer feminina em francês.

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Fonte

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