O Ministério da Saúde lançou hoje (17) o Linha Azul, um itinerário que busca facilitar a conscientização e o acesso de homens ao tratamento do câncer de próstata. Implementada no Sistema Único de Saúde (SUS), a iniciativa aproveita a mobilização mundial do Novembro Azul para divulgar ainda mais a importância do diagnóstico precoce do câncer de próstata.

“A Linha Azul é o itinerário do paciente em toda a rede de atenção, iniciando na atenção primária, com apoio da regulação, para ser encaminhado visando ao diagnóstico na atenção especializada”, disse a diretora do Departamento de Atenção Especializada e Temática do Ministério da Saúde, Maíra Botelho, durante a cerimônia de lançamento da “linha de cuidados” que compõem a iniciativa.

A partir da coordenação da atenção primária, o paciente passará por especialistas urologistas para então ser encaminhado à unidade de referência especializada. “Se confirmado o diagnostico de câncer, ele será encaminhado às nossas unidades de tratamento, na atenção especializada”, explicou Maíra.

Com a proposta de ampliar as políticas públicas voltadas para o controle e combate ao câncer de próstata, o Linha Azul traça um “itinerário terapêutico para homens que apresentam sinais e alterações na próstata”, disse o chefe do Setor de Urologia do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Franz Campos.

Segundo Campos, a ideia é que o paciente tenha um caminho a percorrer no sistema de saúde, da unidade básica ao tratamento especializado. “Isso porque as chances de cura aumentam 90% se o diagnóstico for feito no estágio inicial”, afirmou.

Presente ao evento, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, ressaltou que o “preconceito bobo” contra o exame de toque retal, técnica usada para a identificação do câncer de próstata, “não existe mais”. Queiroga lembrou que, nos últimos dois anos, foram registrados 68 mil casos da doença no país, números que mostram uma “relevância epidemiológica significativa” no país. Segundo o ministro, existem no Brasil “mais de 300 centros” para tratamento de câncer.

“Através do fortalecimento do SUS, vamos dar atenção às patologias que são prevalentes e que, de certa forma, foram negligenciadas, entre elas, o câncer”, disse Queiroga, ao pedir a ajuda das mulheres para a conscientização dos maridos, de forma a encaminhá-los ao médico para fazer o exame.

Atlas de Mortalidade

Levantamento feito pelo Inca estima que mais de 65,8 mil novos casos de câncer podem ser diagnosticados por ano – o número corresponde a 29,2% dos tumores que acometem a população do sexo masculino.

De acordo com o instituto, trata-se do tipo de câncer mais frequente entre os homens, depois do de pele. Em média, são identificados 62,95 novos casos a cada 100 mil homens, no Brasil. Segundo o Atlas de Mortalidade por Câncer divulgado neste ano, mais de 15,9 mil óbitos por câncer de próstata foram notificados em 2019 – número que representa 13,1% de todos os casos de óbitos pela doença em homens.

No contexto mundial, o instituto informa que o câncer de próstata é o segundo mais frequente nesse público, e que 75% dos casos ocorrem em homens com idade acima de 65 anos.

Diagnóstico

O câncer de próstata é o tumor que afeta esta glândula localizada abaixo da bexiga e que envolve a uretra, canal que liga a bexiga ao orifício externo do pênis. Embora seja uma doença comum, por medo ou desconhecimento, muitos homens preferem não conversar sobre o assunto.

Dentre os principais procedimentos para diagnóstico estão o exame de toque retal, em que o médico avalia o tamanho, a forma e a textura da próstata; e o exame de PSA, que verifica no sangue a quantidade de uma proteína chamada de Antígeno Prostático Especifico (PSA), produzida pela próstata.

Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, Antônio Carlos Pompeu, não há “meios efetivos de prevenção” da doença. “Quando identificado em fases iniciais, esse tumor é curável. Em fases adiantadas, os objetivos são outros: controle da doença e qualidade de vida dos pacientes. Isso, no entanto, tem alto custo pessoal, psicológico e monetário”, disse Pompeu ao defender o diagnóstico precoce quando, em geral, o indivíduo está assintomático.

“A orientação básica é estimular os homens, após os 45 anos, a se submeterem a uma avaliação médica inicial”, acrescentou.



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